Descobri o Cursor num dia que eu precisava rebobinar um projeto legado: abri o editor, pressionei Shift+Tab e o agente me devolveu um plano em Markdown que salvou horas de reuniões. A partir dali passei a construir um jeito próprio de trabalhar com agentes: misturei regras versionadas, comandos customizados e cloud agents que abrem PRs enquanto eu tomo café. Neste post conto, em primeira pessoa, como cada recurso — do Plan Mode ao Debug Mode, passando por Skills e automações — virou parte do meu fluxo. Algumas anedotas aparecerão pelo caminho (sou péssimo com commits às 2am).
1) Por que o Cursor mudou meu fluxo
Cursor AI Editor + Integração VSCode: eu não “troquei de editor”, eu ganhei um copiloto
O que me virou a chave no Cursor AI Editor foi a forma como ele junta o editor com modelos LLM (como GPT-4, Claude, Gemini e xAI) sem quebrar meu jeito de trabalhar. Como ele mantém Integração VSCode e aceita extensões, eu continuei com meus atalhos, temas e ferramentas — só que agora com um Editor Código AI realmente integrado ao dia a dia.
Chat “codebase-aware”: respostas com contexto real do projeto
Em vez de um chat genérico, o Cursor entende o repositório. Isso muda tudo no onboarding e na manutenção de legado: eu pergunto coisas específicas e recebo respostas ancoradas no código. Exemplo real: Por que setUser() na linha 1738?. O agente busca referências, cruza chamadas e explica o impacto, sem eu ficar caçando arquivo por arquivo. Esse “awareness” acelera onboarding e refatoração porque o editor + agente trabalham como uma dupla, não como ferramentas separadas.
Autocompletar Inteligente (Tab) que prevê mais do que uma linha
O Autocompletar Inteligente do Tab não é só sugestão de token. Ele antecipa blocos inteiros, ajusta imports, cria funções e até sugere mudanças em múltiplos trechos. Em MVPs de startup, isso encurta o caminho entre ideia e primeira versão rodando. Em projetos full-stack, DevOps ou engenharia de dados, ele reduz o “trabalho de cola” entre arquivos.
Múltiplos modelos: escolho o trade-off de velocidade, custo e qualidade
Outro ponto que mudou meu fluxo foi poder alternar modelos conforme a tarefa: um mais rápido para rotinas, outro mais forte para revisão e arquitetura. Isso deixa o processo mais previsível e eficiente.
- Onboarding: perguntas diretas sobre o codebase e decisões antigas.
- Refatoração: sugestões consistentes e revisão contextual.
- MVP: geração de múltiplos arquivos com menos fricção.
Desde que adotei o Cursor, passei a confiar nos agentes para tarefas repetitivas e ganhar foco nas decisões hard. — Mariana Silva, Engenheira de Software Sênior

2) Plan Mode: da ideia a um plano versionado
Plan Mode Cursor + Documentação Automática sem fricção
Quando a tarefa começa a ficar grande, eu paro de “pedir código” e passo a pedir plano. No Cursor, isso virou hábito: pressiono Shift+Tab e ativo o Plan Mode Cursor. Em segundos, o agente me devolve um plano em Markdown, com etapas, riscos e checkpoints. Eu edito o texto como se fosse um README de execução e salvo em .cursor/plans/. Essa Documentação Automática vira parte do repositório, com histórico no Git, e melhora muito a rastreabilidade em tarefas longas.
Planos que reduzem reuniões e facilitam retomadas
O ganho mais claro é colaboração: com o plano versionado, a equipe entende o “porquê” e o “como” sem reunião extra. Em trabalhos longos, isso também acelera retomadas: dias depois, eu abro o arquivo em .cursor/plans/ e volto exatamente do ponto em que parei, com contexto preservado.
- Divisão de tarefas por etapas e responsáveis
- Sincronia com worktrees Git para testar abordagens em paralelo
- Checklist de validação (build, lint, testes)
TDD e Refatoração Código Legado com mais controle
Eu uso planos principalmente em TDD e em Refatoração Código Legado. No TDD, o plano já vem com o fluxo: criar testes → rodar → validar falha → implementação. Em refatorações, ele me obriga a quebrar o problema em passos pequenos, com commits mais seguros.
Exemplo prático: CommonJS → ES Modules
Recentemente, criei um plano para migrar módulos CommonJS para ES Modules. No próprio Markdown, deixei explícito um checkpoint obrigatório: após cada bloco de mudanças, rodar npm run typecheck. Isso evitou regressões silenciosas e manteve o ritmo do time.
Salvar planos em .cursor/plans/ mudou como minha equipe documenta decisões complexas — virou histórico prático. — Lucas Oliveira, Tech Lead
3) Agents, Rules e Skills: personalizando o agente
O que mais mudou meu fluxo no Cursor foi perceber que eu não preciso “torcer” para o agente acertar: eu posso personalizar o comportamento dele. Na prática, eu trato isso como um agent harness: minhas mensagens + ferramentas + modelos + um conjunto de Regras AI Customizadas e Skills que deixam o resultado consistente.
Regras AI Customizadas e Regras Memórias Customizadas (RULE.md)
Eu centralizo padrões e checagens em .cursor/rules/, com arquivos RULE.md. Essas Regras Memórias Customizadas reduzem erros recorrentes e padronizam como o agente trabalha, mesmo quando eu troco de modelo. Exemplo: eu forço ES modules, destruturação de imports e uma checagem obrigatória após mudanças grandes:
- Usar ES modules e evitar
require() - Preferir imports com destruturação quando fizer sentido
- Rodar
npm run typecheckantes de abrir PR
O melhor: eu versiono tudo no Git e ajusto incrementalmente quando encontro um padrão de erro. Às vezes, eu peço para o próprio agente atualizar as regras e abrir commit/PR via GitHub.
As Rules me permitiram evitar regressões óbvias — e pedir ao agent para commitar mudanças nas regras economiza tempo. — Ana Costa, Engenheira de Plataforma
Skills e Comandos Personalizados (SKILL.md)
Já as Skills ficam em .cursor/skills/ com SKILL.md. Eu uso para criar Comandos Personalizados (disparados por “/”), hooks pré/pós-etapas e conhecimento de domínio carregado só quando preciso — isso mantém o agente leve e focado.
- Hook: rodar linters e testes antes de abrir PR
- Integrações: secrets managers, Datadog, Sentry e Figma MCP
- Controle de loops:
MAX_ITERATIONS = 5para evitar iteração infinita
Com Rules + Skills, eu deixo o agente mais previsível, mais “da equipe” e muito mais rápido no dia a dia.

4) Automação prática: cloud agents, comandos e worktrees
Agente Automatizado: PRs prontos enquanto eu sigo o dia
Quando percebi que eu gastava energia demais com tarefas repetitivas (atualizar dependências, ajustar lint, abrir PR “padrão”), comecei a delegar isso para um Agente Automatizado. Pelo cursor.com/agents — no editor ou até no celular — eu disparo um agente em sandbox: ele clona o repositório, cria uma branch, executa as Operações Terminal necessárias, faz commits e abre o PR. Na prática, cloud agents substituem esse trabalho mecânico e aceleram merges/PRs, porque eu entro só na parte que importa: revisar e decidir.
Ter agents abrindo PRs enquanto eu reviso no café tornou o ciclo de feedback muito mais suave. — Pedro Almeida, Desenvolvedor Fullstack
Comandos Personalizados versionados no Git (consistência de time)
Para o dia a dia, eu padronizei Comandos Personalizados em .cursor/commands/. O ganho real é que eles ficam versionados no Git, então todo mundo roda o mesmo fluxo, com o mesmo checklist, sem “cada um faz de um jeito”. Exemplos que uso direto:
/prpara preparar descrição, checklist e validações/fix-issuepara reproduzir, criar teste e corrigir/update-depspara atualizar pacotes e rodar verificações
Worktrees: paralelismo seguro + comparação de outputs
Quando a tarefa é grande, eu rodo múltiplos agentes/modelos em paralelo e comparo soluções. Cada um trabalha em uma worktree isolada do Git, o que evita conflito e deixa fácil avaliar edge cases. Eu também incentivo Mensagens Commit AI consistentes, para o histórico ficar claro mesmo com várias tentativas em paralelo.
Notificações e integrações (MCP)
Assim que o agente termina, eu recebo alertas por Slack, email ou web. Com MCP, eu conecto essas notificações e automações a ferramentas externas, mantendo o fluxo rodando sem eu ficar “vigiando” o terminal.
5) Debug Mode e TDD: diagnóstico e ciclo seguro
Debugging Inteligente: do sintoma à evidência
Quando aparece um bug chato, eu não começo “tentando coisas”. Eu abro o Debug Mode e trato o agente como um parceiro de investigação. Ele faz perguntas objetivas, pede um passo a passo de reprodução, e entra no ciclo de hipótese → logs → reprodução → evidência → Correção Erros. Isso muda tudo: em vez de palpites, eu ganho um caminho claro.
No meu fluxo de Debugging Erros Stack, eu colo o stack trace, digo o que eu esperava e o que aconteceu, e o agente sugere onde instrumentar logs e quais variáveis observar. Quando o modelo é bom de terminal, eu deixo ele rodar comandos; quando é melhor em leitura de código, eu peço para usar grep e buscas rápidas. Eu sigo benchmarks internos: a estratégia muda conforme o modelo, mas o objetivo é sempre o mesmo—diagnóstico rápido e justificável.
O Debug Mode trabalha como um colega investigativo — ele me mostra onde olhar e me entrega evidências, não só opiniões. — Rafael Mendes, Engenheiro de QA
TDD: confiança para mudar sem medo
Para evitar regressões, eu uso TDD com o agente como disciplina, não como “atalho”. Eu peço explicitamente: crie os testes, sem implementar nada. Rodo, vejo falhar, faço commit, e só então autorizo a implementação. Esse ciclo me dá segurança e deixa claro quando o agente realmente resolveu o problema.
- Gerar testes (sem implementação)
- Rodar e confirmar falha
- Commit dos testes
- Implementar com o agente até passar tudo
Sinais de sucesso: linters, typecheck e revisão automática
Em mudanças grandes, eu exijo npm run typecheck e rodo linters sob demanda. Depois, reviso com Review → Find Issues, comparo com Agent Review vs main e, em PR, chamo o Bugbot. Assim, o Cursor vira um ciclo seguro: diagnostica melhor, corrige com base em evidência e mantém o código estável.

6) Visão computacional, design e teste no Browser
Visão Computacional para tirar ambiguidade do design
Uma das viradas no meu fluxo foi usar Visão Computacional direto no Cursor. Em vez de explicar “o botão está 4px desalinhado” ou “a cor parece mais clara”, eu simplesmente colo um screenshot ou arrasto um arquivo de design. O agente lê a imagem, entende layout, cores e espaçamentos e já sugere o código bem próximo do mockup. Isso confirma na prática um ponto importante: reconhecimento visual reduz ambiguidade em especificações de UI, porque a referência é objetiva.
Figma MCP e Casos Uso reais no dia a dia
Quando o design está no Figma, eu conecto via Figma MCP e peço para o agente transformar frames em componentes. O ganho aparece em vários Casos Uso: criar um card novo, ajustar tipografia, padronizar tokens e até mapear estados (hover/disabled). Em alguns cenários, a diferença é gritante:
“Transformar um mockup em HTML/CSS com um screenshot levou de horas para minutos em alguns casos.” — Beatriz Fernandes, UX Engineer
Browser integrado: design e implementação no mesmo fluxo
Com o Browser integrado no sidebar, eu testo a tela enquanto codifico: abro a rota, valido responsividade, capturo mudanças e comparo rapidamente. Isso aproxima design e implementação num fluxo único, sem ficar alternando entre abas e ferramentas. Quando encontro um bug visual, eu tiro um print, marco a área e peço: “corrija o padding e mantenha o grid”. É mais rápido e mais preciso do que descrever por texto.
Conversão Linguagens e validação com observabilidade
Também uso o agente para Conversão Linguagens em UI: por exemplo, converter um protótipo em HTML/CSS para React/Next, ou adaptar estilos para Tailwind. E, quando o problema é intermitente, eu cruzo com integrações MCP de Datadog e Sentry para validar erros e regressões com evidência.
- Input: screenshot, path de imagem, frame do Figma
- Output: componente funcional + ajustes finos no Browser
- Benefício: menos retrabalho e menos “achismo” em UI
7) Revisão, prompts e ética do fluxo com IA
Conversas Naturais começam com prompts claros
O que mais mudou meu ritmo com o Agente Código foi entender que produtividade não vem de “pedir código”, e sim de pedir bem. Eu descrevo objetivo, restrições, estrutura de pastas, padrões de import e, principalmente, edge cases. Prompts claros e revisão contínua viraram meu filtro de segurança e qualidade: quanto mais contexto eu dou, menos suposições o agente faz. Também trabalho em iterações curtas, para corrigir rota cedo e evitar refatorações gigantes no fim.
Análise Código: diff view e Review → Find Issues
Eu nunca aceito a saída no automático. Enquanto o agente gera mudanças, acompanho pelo diff view como se estivesse revisando um PR. Depois, rodo Review → Find Issues para uma Análise Código linha a linha: inconsistências, imports inúteis, riscos de segurança, nomes confusos e regressões. Para “sinalizar sucesso”, eu uso o que não mente: testes, linters e tipagens. Se o typecheck falha, o trabalho não terminou, mesmo que a resposta pareça bonita.
Documentação Automática com Mermaid para mudanças grandes
Quando a alteração é ampla, eu peço diagramas em Mermaid e uma Documentação Automática mínima da arquitetura: fluxos, módulos, pontos de integração e decisões. Isso reduz dúvidas no time e deixa rastros claros para quem vai manter depois. É aqui que a IA deixa de ser “geradora de código” e vira suporte real de entendimento.
Contexto preservado evita retrabalho
Para manter foco, eu organizo conversas em ciclos. Mudou a tarefa? Abro um chat novo e recupero o essencial com @Past Chats. Se o assunto é uma feature específica, uso @Branch para ancorar a conversa no lugar certo. Esse contexto preservado evita perda de histórico e retrabalho.
Tratar o agente como colega, questionando e revisando, é o que realmente faz a IA ser útil no time. — Carolina Ribeiro, CTO
No fim, minha regra ética é simples: IA acelera, mas não substitui responsabilidade. Eu delego execução, não decisões críticas. Revisar, testar e documentar é o que torna esse fluxo confiável — e é assim que o Cursor realmente transformou meu desenvolvimento.
